quarta-feira, 5 de setembro de 2012

¿Será la hora de la paz en Colombia?

De volta para Colômbia e de volta para a "vida real". Várias coisas importantes aconteceram nesse meio tempo, mas, ao meu ver, o processo de paz que está iniciando no país é o fato mais significativo.

Há alguns dias atrás, os meios de comunicação começaram a especular que o governo colombiano teria iniciado negociações de paz com as Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia ou FARC-EP.

Ontem, tanto o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, como o comandante das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelo alias "Timochenko" deram declarações confirmando e dando alguns detalhes sobre o processo de paz que está sendo desenvolvido por ambas partes com o objetivo de cessar fogo.

De acordo com as informações divulgadas, o tema vem sendo discutido há seis meses entre ambas partes em Cuba e em Noruega, países que estão contribuindo para tal processo, o qual também contará com o acompanhamento dos países latinoamericanos, Chile e Venezuela. A primeira etapa já estaria cumprida com esses diálogos, as outras duas fases estarão compostas por sessões de trabalho reservadas e diretas, sem intermediários, para chegar ao acordo final e, a implementação do acordado e de mecanismos de verificação. 

O presidente Santos afirmou que o processo de negociação será realizado em um tempo determinado e que sua finalização ocorrerá dentro de alguns meses. Também disse que os negociadores tratarão de temas como, por exemplo, desenvolvimento rural, garantias para exercício de oposição política e participação cidadã, fim do conflito armado, abandono das armas e reinserção social da guerrilha na vida civil, narcotráfico e direitos das vítimas; mas ainda não foi colocado em pauta como será o processo judicial para os crimes cometidos, por exemplo.

"Timochenko" ressaltou pontos importantes no seu discurso como, por exemplo, o fato da aceitação das FARC tanto como opositora política como militar pelo governo colobiano, citou também temas interessantes tais como a importância da ampliação da democracia e, a importância de respeitar os direitos humanos e, o desenvolvimento sócioeconômico equitativo de maneira sustentável; além disso, tratou de uma maneira amigável as Forças Amadas. 

Por outro lado, nem as FARC e nem o governo falaram em um cessar fogo durante a negociação, de acordo com eles, o país ainda está sujeito a violência, porque essas são as conseqüencias da guerra. As duas partes se mostraram otimistas em seus respectivos discursos, mas nenhuma delas são ingênuas. Ambos sabem que para que o processo de paz ocorra será necessária a participação de todos, o empenho e o entendimento tanto do governo, como dos grupos insurgentes e do povo. Além de transformações econômicas, políticas e sociais para a consolidação de uma base sólida.

Enquanto esse processo está em adamento o povo, uma vez mais, fica apreensivo, faz manifestações pacíficas e aguarda qual será o desfecho dessa história que já perdura mais de meio século. Alguns resistem em acreditar que esta seja a melhor solução para o conflito, mas o certo é que esta é mais uma oportunidade de resolver o tema de uma maneira pacífica e pode ser que ela não volte a se repetir.

¿Será la hora de la paz en Colombia? ¡Ojála que si!

A seguir, compartilho as versões completas do pronunciamento de cada uma das partes envolvidas na negociação do dia 04 de setembro de 2012:


Declarações do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos


Declarações do comandante das FARC, "Timochenko"

terça-feira, 4 de setembro de 2012

De regreso...

É eu sei...andei sumida. Apareceram alguns imprevistos e tive que fazer uma viagem de última hora ao Brasil. Essa é a saga de quem mora em outro país...sempre temos que andar atrás de documentos e lidar com burocracias que nos fazem ir e vir, mas tudo bem. Foi muito bom poder rever a família, grande parte dos amigos, comer muitas coisas gostosas. Além de poder curtir um pouquinho do frio do inverno brasileiro, porque enfrentar calor o ano inteiro não é facíl não.

Confesso que me senti super estranha quando vi São Paulo acordando. Fazia tempo que não via aquela paisagem, nem aquela gente, nem escutava aqueles sons e palavras e, nem sentia aqueles cheiros e sensações. Estava meio perdida naquele território que costumava ser tão meu, praticamente uma estranha no ninho hehe. Mas aos poucos fui retomando os sentidos e me sentindo em casa de novo.

Dai, pensando nisso, achei que seria muito bom compartilhar um poema com vocês de um escritor colombiano que conheci há pouco tempo e que me cativou com a sua maneira de escrever, ai vai...

Pasaporte del Apátrida

En la aduana me preguntan
De qué país soy ciudadano.
Cuando la Catrina toca su pífano de hueso
Y remienda sueños olvidados, soy mexicano.
Si al abrir y cerrar un bandoneón se despliega la calle
Y un gato recorre las cornisas del barrio,
Mi ángel de la guarda habla en lunfardo.
Si la tristeza se riega en mi cuarto,
Envalleja mi pan y mi artesa, mi plato y mi cuchara,
Soy el huayno que acompaña al hombre solitario,
Un hombre llegado de la Puna.
Veo el fantasma de Teillier y soy agua de Chile,
Compatriota de cielos y naufragios.
Si el silencio se desliza en un bote de totora,
Si las nubes mascan coca para subir a su altura
soy boliviano.


Cuando suena una orquesta en la percusión del pecho
Lleva un sonido de trenes al túnel de la noche,
Soy de Santiago o La Habana, un lajero que regresa
A golpear con su bastón los tinglados del alba.
Si un potro recorre la llanura (si el viejo Simón Díaz
Trae un sombrero de oro, un color de araguaney),
Mi agua bautismal es Venezuela.
¿Sabe usted, impaciente aduanero,
Dónde queda Uruguay?, Queda en otro monte,
En otro mundo fabulado por un Conde sin reino.
Soy uruguayo al visitar el eco de sus cantos.
El viento trae semillas de lejanía,
Teje y desteje trenzas y nubes
Y un concilio de sombras oficia las distancias:
Soy correo de Chasquis,
Un incierto corresponsal de Gangotena.
Siempre que camino las florestas del lenguaje
Vuelvo a Darío y soy de un país
Que compone sonatinas tocadas por el mar.
Cuando intento reconciliarme con la muerte,
Soy compatriota de Barret, con él me hago oriundo
de Paraguay.
Entro a un mapa oculto en las manos de Cardoza,
En sus líneas soy vendedor de espigas y máiz
En la Antigua Guatemala.
Soy brasilero en Pernambuco, me apellido Bandeira
Y prefiero "el lirismo de los locos",
Los ojos de una muchacha envejecen sin remedio.
A veces soy colombiano, cuando en Ciénaga de Oro
Suenan los bombardinos
O un poeta pinta el verde de todos los colores.
¿Me entenderán en la aduana
Si les digo que soy del lugar donde te encuentres?

Juan Manuel Roca

Retirado de: http://cultura.elpais.com/cultura/2012/03/27/actualidad/1332869654_133921.html