quinta-feira, 24 de maio de 2012

En la capital, Bogotá - Parte I

É...como já comentei no post anterior, durante o Festival de la Layenda Vallenata decidi dar uma volta pela capital colombiana e aproveitar os dias livres.
Para ser sincera, nós que estamos acostumados com as estações é muito dificil aguentar o verão o ano inteiro, já faz mais de seis meses que estou aqui e já tava na hora de trocar um pouquinho o calor pelo frio.
Foi uma viagem curta, mas que, com certeza, me fez recuperar as energias.

Por outro lado, também queria muito aproveitar para ir à feira internacional do livro de Bogotá, mais conhecida como filbo que ocorreu do dia 18 de abril até o 1 de maio.
Corferias - Bogotá
Depois de visitar várias vezes a feira do livro de Buenos Aires, tinha vontade de conhecer a daqui, porque também se encontra entre as mais importantes e maiores da América Latina.

Feijoada
Este ano, na sua versão 25ª o país convidado foi o Brasil. É sim, todos os anos eles convidam um país para ter um pavilhão só seu com exposições, livros à venda no seu próprio idioma, um restaurante com comidas típicas, informações sobre turismo.

Moqueca de camarão












Pavilhão - Brasil
Além disso, em diversos espaços dentro da feira, assim como, em vários pontos da cidade ocorrem exposições de arte, apresentações de música e de dança, ciclos de cinema, enfim uma oferta enorme de informação e de contato com a cultura do país "visitante".


Corferias - Bogotá











Ademais, existe uma grande oferta cultural em geral, não só no que se refere ao país convidado, isto é,  dentro e fora da feira há vários eventos que estão pensados não apenas para quem tem interesse de adquirir livros, mas também para os que querem ter contato com a literatura, com a arte, com a música, etc.

Tive sorte! No mesmo dia em que cheguei a Bogotá consegui ingressos, que por sinal eram gratuitos, para ver uma cantora brasileira que ainda não conhecia, mas que já tem alguns anos de trajetória dentro da MPB. Verônica Ferriani me impressionou no palco, não só pela voz doce e envolvente que tem, mas também pelo seu charme e presença em cena. Um espetáculo cheio de emoção, com interpretações belíssimas de "Saudosa Maloca", "Não deixe o samba morrer", "Não sonho mais", entre outras, ela conseguiu derrubar algumas lágrimas e tenho certeza que não foram só as minhas.



No dia seguinte, fui até a feira e lá encontrei muitos livros interessantes e também tive a oportunidade de ver um grupo de samba colombo-brasileiro chamado Batucada Unidos do Uirapuru que se formou aqui na Colômbia. Muito legal o trabalho deles de divulgar uma parte da cultura do carnaval brasileiro fora do país




Bom, em outro post continuo contando um pouco mais sobre o passeio por Bogotá.




terça-feira, 15 de maio de 2012

El festival...que no vivi

De 26 a 30 de abril ocorreu a 45º edição do Festival de la Leyenda Vallenata aqui em Valledupar.



Com direito a recebimento especial no aeroporto para todos os que chegavam à cidade, homenagens, desfiles, espetáculos culturais e folclóricos, concursos, shows em vários pontos da cidade, o evento esteve repleto de artistas importantes do vallenato como, por exemplo, Diomedes Díaz, Peter Manjarrés e Silvestre Dangond, além de otros grupos e cantores nacionais e internacionais como foi o caso de Chocquibtown, Juanes, Wisin y Yandel, El Gran Combo de Puerto Rico, entre outros.

Com muitos turistas na cidade, todas as apresentações tiveram a casa lotada. Gente vindo não só de outras partes da Colômbia, mas também do mundo. Neste ano, o Brasil esteve entre os países que o festival mais atraiu, o aumento de turistas brasileiros foi de 350%

Entre os eventos culturais e folclóricos está o desfile e concurso das Piloneras, o qual ocorre todos os anos durante o festival. A dança e o canto popular estão baseados no movimento rítmico do pilão usado para pisar o milho.
O desfile ocorreu na K19 ou Simon Bolivar como também é conhecida; havia muita gente prestigiando o evento, as comparsas (grupos, em português) estavam muito animadas e cada uma tinha seu vestido colorido e estampado bem vistoso, estava muito calor, cerveja e OldParr (o Whisky mais tomado em Valledupar) não faltavam.

É, só que depois de fazer tanto alvoroço com o festival vou ter que decepcionar vocês. Só estive presente no desfile das Piloneras que ocorreu no dia 26. 
Justamente na data da festa mais importante daqui eu decidi visitar a capital colombiana. Mas isso eu conto em outro post.

 Coloco algumas fotos do festival para ilustrar:



E deixo algumas dicas para quem quiser vir para o próximo festival no ano que vem:

Como chegar:
Valledupar possui um aeroporto onde chegam vôos diários sem escala saindo de Bogotá, com aproximadamente uma hora de duração, através das empresas Avianca e Lan
Quem quiser se aventurar também pode vir de ônibus, mas a diferença é grande, são aproximadamente 16hs de viagem saindo da capital colombiana.

Onde ficar:
Sonesta Hotel Valledupar
Tativan Hotel
Vajamar Hotel
Casas campo

Onde comer:
Restaurante Varadero
Restaurante Mr Beef
Buffalo Grill Restaurante
El corral
Comida callejera (comidas rápidas espalhada pelas ruas de toda a cidade)

sábado, 5 de maio de 2012

El vallenato

Hoje queria contar um pouco para vocês sobre esse ritmo que se tornou o simbolo da música colombiana, o vallenato.

Interpretado tradicionalmente com três instrumentos:

  • El acordeón diatónico
  • La guacharaca (instrumento ancestral indígena) 
  • La caja (um pequeno tambor)
Ele também pode ser desempenhado com guitarra, flauta ou gaita.
Inicialmente a voz vinha da mesma pessoa que tocava o acordeão, mas com o tempo foi incorporado um cantor.
O vallenato está dividido em aires conhecidos como: paseo, merengue, puya e son

Sua origem se remete aos cantos de vaqueiros e, também, foi nutrida pelas histórias cantadas. Algo que se assemelha (se assim me permitem a comparação) a nossa boa moda de viola.
E por falar em moda de viola quero aproveitar o momento para fazer uma homenagem ao meu avô que  já não está fisicamente comigo, e que me ensinou a escutar esse tipo de música e a me emocionar com ela, e também uma homenagem ao nosso grande Tinoco que nos deixou ontem...chora viola com o Chico mineiro de Tonico e Tinoco.

Não faz muito tempo o vallenato não era bem visto pela classe alta, isto é, faz pouco tempo que este começou a ser um gênero musical compartilhado tanto pelos pobres como pelos ricos. O importante é que o colombiano parece estar se identificando cada vez mais com o vallenato, esse ritmo que traduz tanto da picardia, do folclore e da magia desse povo tão bonito.

Dentro da cultura do vallenato tem algo mais que acho muito interessante que é conhecido como: la piqueria. Que nada mais é que a competição de versos improvisados entre os competidores; o jogo tem regras implicitas e podem ocorrer em festivales ou em qualquer parranda, ou seja, nas ruas, nas casas e até mesmo nas chamadas galleras, isto é, no lugar onde ocorre a rinha de galos. É sim, aqui na Colômbia não é delito a briga de galos! Isso é considerado parte da cultura deles. Aqui em Valledupar tem até uma escultura em homenagem a pelea de gallos.




Para terminar por hoje quero deixar com vocês algumas dicas para que conheçam um pouco mais sobre o vallenato:

Filme: Los viajes del viento (Retrata muito bem a cultura e o folclore em volta do vallenato. A fotografia do filme é linda. Aparece uma cena piqueria muito emocionante).

Novela: Escalona (Protagonizada pelo Carlos Vives - cantor muito reconhecido de vallenato - quem deu vida a história do conhecido El maetro Rafael Escalona quem é considerado o maior compositor da música vallenata).

Aqui deixo algumas músicas como exemplo do classico vallenato e uma canção que curiosamente sempre colocam para mim:

La Brasilera - Carlos Vives

Alicia Dorada - Alejo Duran

Nació mi poesia - Jorge Oñate


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ciudad de los Santos Reyes del Valle de Upar ou só Valledupar

Como prometido vou começar a contar um pouquinho sobre a cidade aonde estou morando aqui na Colômbia. Ciudad de los Santos Reyes del Valle de Upar ou só Valledupar (como é mais conhecida) é a capital do departamento (que para nós brasileiros seria "estado") de Cesar. Fundada em 1550 pelos espanhóis. Atualmente, com 420.000 habitantes. Localizada no nordeste da costa caribe colombiana (o que lhe configura uma ligação muito forte com a região caribe no que se refere a sua identidade e uma diferenciação muito marcada com o chamado "interior colombiano"), às margens do rio Guatapurí, no vale do rio Cesar formado pela Sierra Nevada de Santa Marta e a serranía del Perijá.

A cidade possui limite geográfico com os departamentos de Magdalena e de La Guajira. O primeiro possui como capital Santa Marta e o segundo Riohacha. Com certeza em algum momento falarei mais sobre essas cidades.

A temperatura média anual é de 28,4 ºC, ou seja, verão o ano inteiro. Eles apenas fazem diferença entre verão e inverno, para separar a época de seca e de chuva respectivamente. A melhor época para não sofrer com o calor é em dezembro e janeiro.

As principais atividades econômicas da cidade estão concentradas na produção agrícola e pecuária e, também na agroindustria. Nos últimos anos, a região onde se encontra Valledupar tem ganhado cada vez mais importância devido ao fato de ser uma área estratégica para a extração de carvão mineral. Por isso, a cidade tem recebido uma forte migração humana nos últimos tempos e, conseqüentemente, tem passado por um boom no setor da construção.

Desde muito antes da sua fundação a cidade já era habitada por tribos indígenas. Dentro da história o personagem mais conhecido é o chefe de uma tribo (Chimila), o Cacique Upar, quem foi morto pelos espanhóis, assim como grande parte da sua tribo. Ainda hoje, permanecem na região diversos povos nativos como é o caso dos Arhuacos, Kankuamos, Yukpas e Wiwa, por exemplo. Valledupar conta com uma Casa Indígena, a qual é responsável por recebê-los de forma passageira quando eles vêm até a cidade (uma espécie de albergue), seja por estar em situação de deslocamento (problema latente que afeta a mais de 4 milhões de colombianos), seja para receber atenção médica quando apresentam doenças que não estão sob a jurisdicção da medicina tradicional indígena. A manutenção da casa provém apenas dos recursos das organizações indígenas o que se traduz no seu deterioro. Pelo visto, ainda falta muito para que o povo colombiano possa pagar a dívida deixada a essa civilização, assim como nós brasileiros.

Valledupar é muito conhecida por ser sede de um dos principais eventos culturais, musicais e folclóricos do país, o Festival de la Leyenda Vallenata, evento em que o gênero musical vallenato é o protagonista. A escolha de Valledupar como sede para esse importante evento colombiano não ocorreu por acaso, esse ritmo musical teve sua origem nesta cidade e, hoje em dia, é considerado o ritmo de maior popularidade no país e, atualmente, simbolo da música colombiana. O último festival acabou faz pouquinho tempo, em outro post comentarei mais sobre ele e darei mais detalhes sobre esse ritmo.

Deixo algumas fotos para ilustrar e um mapinha da cidade que achei bem interessante:



quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dando inicio

Sempre tive vontade de começar um blog, mas acho que ainda não tinha encontrado o momento ideal para fazê-lo até então. Nasci na cidade de Americana/SP, estudei minha carreira de Relações Internacionais em São Paulo capital e, logo após acabar a faculdade decidi ir morar em Buenos Aires - Argentina, acabei vivendo três anos nessa bela cidade e agora vim parar em Valledupar - Colômbia, uma cidade que pertence a costa colombiana, a qual apresentarei aos que ainda não a conhecem através de fotos, noticias e anedotas. Assim como terei prazer de comentar sobre as minhas aventuras em outras cidades colombianas e com certeza acabarei fazendo referências e recordando meus tempos na Argentina e porque não em São Paulo e até mesmo na minha cidade natal.

Espero que com este blog possa ajudar não só as pessoas que conheço e que me perguntam por dicas dos lugares por onde já passei, mas também a desconhecidos e errantes. Além disso, espero me sentir mais pertinho do meus país, ainda que seja por meio das palavras, já que a saudade é grande.